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Nossa plataforma de Algodão: 10 anos na Índia

11.07.2018

Em 2007, a LDC enviou um único trader de Memphis para montar a plataforma indiana de comércio de algodão em um pequeno apartamento em Deli. À medida que a Índia avançou e se tornou o maior produtor mundial, a Plataforma de Algodão da LDC também cresceu.

Para marcar o décimo aniversário da Plataforma, nos reunimos com Mitesh Shah, Head de Algodão da LDC para o Sul da Ásia e China, a fim de discutir nosso crescimento na Índia e o negócio de algodão na Ásia.

Qual foi seu maior desafio para implantar a operação na Índia?

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Foram tantos! Alguns desafios são esperados ao se montar um negócio, não importa onde. Outros foram mais complexos e específicos, tendo em vista o mercado local. Tal como ocorre com todas as commodities, o maior desafio foi ganhar a confiança de nossos clientes - e estamos orgulhosos do que conseguimos.

Lançamos a Plataforma no momento em que a Índia estava começando a exportar cada vez mais algodão. Muitas pessoas nos rotularam somente como traders para exportação, e, naquela época, quem vendia para outros país tinha a reputação de vender algodão de baixa qualidade.

Queríamos mudar essa imagem, então montamos uma grande equipe de controle de qualidade. Investindo muito tempo, esforço e com atenção aos detalhes, conseguimos conquistar a reputação de fornecer produtos e serviços de melhor qualidade aos nossos clientes.

Outro desafio foi educar compradores e vendedores a respeito do valor comercial de gerir o risco de preço por meio de um sistema de mercado que lhes permitisse negociar a termo.

O que mudou nos dez anos desde a criação da Plataforma?

Quando iniciamos, a maioria das pessoas estava focada nas exportações, mas nosso objetivo inicial era atender os mercados domésticos. Em 2007, a Índia exportou 7,5 milhões de fardos (480 libras), se tornando, assim, o maior concorrente dos EUA. O atraente preço do algodão indiano levou a mais exportação. À medida que volumes maiores de algodão indiano se tornaram disponíveis no mercado, os consumidores se acostumaram mais com ele, o que aumentou seu valor.

A LDC já estava negociando com a Índia havia muito tempo, comprando algodão indiano em portos locais para exportação e vendendo o de origem estrangeira para clientes de fiações indianas para importação.

Com o advento do algodão BT (geneticamente modificado) em 2003, a produtividade doméstica melhorou drasticamente, e a Índia logo se tornou um dos maiores produtores de algodão do mundo. Como comerciante global, percebemos a necessidade e a oportunidade de ajudar a gerenciar parte desse grande produto e fornecer soluções para os clientes das fiações indianas.

Depois de começarmos com somente uma pessoa negociando em dois estados, expandimos para sete escritórios em todo o país, além de um escritório de comercialização no sul.

Como a Índia oferece uma ampla variedade de qualidades - desde as mais baratas até as mais valorizadas -, aos poucose aprendemos a comercializar diversos tipos de algodão.

Nos últimos dez anos, obtivemos informações valiosas sobre o mercado indiano. Nossa própria pesquisa também melhorou, ajudando-nos a fornecer soluções melhores para o mercado do país e, por consequência, também para o comércio mundial.

Aprendemos e nos adaptamos às condições locais, mantendo nossa mentalidade global.

Qual o impacto da presença da LDC no mercado indiano de algodão?

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O agricultor e o descaroçador de algodão ganharam um comprador. Eles não tinham mais que vender somente às fiações locais. Via acesso a financiamento, ajudamos os cotonicultores indianos a evitar a concentração de vendas na época da colheita. Com espaço no mercado internacional, o agricultor também recebe um preço mais justo. Esse foi um ponto muito favorável.

A sazonalidade da cultura do algodão levava as fábricas têxteis do país a gastar muito no armazenamento. Mas conosco, elas podem ter a garantia de um fornecimento contínuo e confiável de produto de qualidade e a oportunidade de garantir o fornecimento futuro a preços competitivos.

O mercado da Índia amadureceu na última década - passando de cotações spot, quando as commodities são negociadas para entrega imediata, aos negócios a termo. Isso foi possível principalmente porque as empresa globais que atuam na comercialização, como a LDC, conseguiram demonstrar o valor dos mercados a prazo na mitigação de riscos.

De que forma o mercado de algodão evoluiu na Ásia e o que causou as grandes mudanças?

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O mercado passou por algumas mudanças drásticas, em grande parte ligadas à política do governo chinês de acumular estoques e depois liquidá-los.

Em termos de consumo, a demanda mudou da China para países como Vietnã, Índia, Paquistão e Bangladesh. Bangladesh e Vietnã ultrapassaram a China como os maiores importadores mundiais de algodão. Nos últimos dez anos, o consumo e as importações de algodão do Vietnã mais do que quadruplicaram. Na Índia, o consumo interno cresceu quase 30%, enquanto o consumo de algodão da China caiu quase 25%.

A China está começando a recuperar o consumo com uma política têxtil favorável em Xinjiang e a liquidação dos estoques de algodão do governo chinês. Acreditamos que as importações chinesas de algodão também aumentarão em breve.

A Índia se tornou uma das maiores produtoras do mundo, enquanto a produção chinesa caiu até 38% desde 2007. A Austrália também está produzindo mais, já que o aumento da disponibilidade de água permite que o país cultive mais algodão, oferecendo margens melhores.

E quanto à sustentabilidade e rastreabilidade? Essas tendências são tão importantes na Ásia como no mundo ocidental?

À medida que a sustentabilidade se torna uma questão cada vez mais importante, os consumidores finais são obrigados a adotar padrões de sustentabilidade. Esforços como a Iniciativa para um Algodão Melhor (BCI, Better Cotton Initiative) estão ganhando força. A Ásia representa 80% do consumo mundial e, obviamente, está na vanguarda dessa mudança.

A LDC está participando dos esforços de rastreabilidade na Ásia e em outros lugares, fornecendo esse serviço para certos tipos de algodão premium de alta qualidade, como o Pima, que é cultivado na Califórnia para clientes asiáticos. Essa área ainda está em fase inicial, mas continuará crescendo.

Obrigado, Mitesh!

Fontes: https://www.usda.gov

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