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Promovendo práticas sustentáveis na savana do Cerrado 99

Você sabia que o Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e uma das regiões com maior biodiversidade do mundo? Além disso, é o lar de milhares de pequenos produtores que dependem de seus recursos naturais para a sua subsistência. Estamos trabalhando com a Louis Dreyfus Foundation e a VB­IO para apoiar esses produtores e proteger esse precioso ecossistema dos impactos do desmatamento, da degradação da terra e das mudanças climáticas por meio da produção agroecológica.

O Cerrado cobre cerca de 23% da superfície do Brasil, o que representa mais quilômetros quadrados do que os territórios combinados da Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido. 5% das plantas e dos animais do planeta vivem no Cerrado, incluindo cerca de 10.000 espécies de plantas nativas e mais de 1.600 espécies indígenas de mamíferos, pássaros e répteis. Essa savana também é fundamental para o abastecimento  global de água, para a estabilização climática e para o armazenamento de carbono.

No entanto, apesar de seu tamanho e importância, menos de 2% do Cerrado é protegido por parques nacionais e áreas de conservação, e está ameaçado pelo desmatamento, pela degradação da terra e pelas mudanças climáticas.

É por isso que estamos trabalhando com nossos parceiros para apoiar esses produtores e proteger o meio ambiente local por meio da produção agroecológica.

Como o nosso projeto está promovendo práticas mais responsáveis e capacitando os produtores?

Advancing Sustainable Practices in the Cerrado Savanna

Desde 2022, trabalhamos com nossos parceiros para apoiar pequenos produtores em 26 municípios nos estados brasileiros de Goiás, Bahia e Minas Gerais, ao mesmo tempo que reduzimos a pressão sobre os ecossistema do Cerrado.

O projeto apoia produtores na formação de cooperativas que recebem treinamento sobre produção e comercialização de espécies agrícolas nativas, com foco em práticas agroecológicas, permitindo que os produtores realizem a transição para uma produção 100% livre de produtos químicos.

As fazendas serão certificadas organicamente e conectadas ao Solidary Commercialization Network – uma rede de produtores locais que trabalha com quase 5.000 famílias, promovendo a valorização de produtos locais e nativos produzidos por comunidades tradicionais e fornecendo uma plataforma para participação na tomada de decisões, no planejamento da produção e na comercialização.

O objetivo geral é facilitar o acesso ao mercado e permitir que os produtores obtenham um prêmio melhor por seus produtos. Fazer parte de uma cooperativa oferece aos produtores um canal para vender seus produtos sem intermediários. Os produtores elegíveis também recebem uma certificação orgânica, o que permite a comercialização de sua produção com um rótulo orgânico e, consequentemente, com um prêmio. Pequenos produtores também podem padronizar a sua produção e reduzir custos por meio do compartilhamento de equipamentos, armazenamento e custos logísticos.

Advancing Sustainable Practices in the Cerrado Savanna

Nós estamos ajudando cerca de 500 famílias de produtores no Brasil a melhor suas condições de vida. Essas famílias recebem treinamento e intercâmbio sobre gestão sustentável de fazendas e certificação orgânica, aumento da biodiversidade das fazendas por meio do plantio de mudas e implementação de práticas agrícolas mais resilientes.

Fernanda Saturni, Gerente de Sustentabilidade de Grãos & Oleaginosas


O que é uma produção agroecológica e porque isso é importante?

A agroecologia é uma forma de agricultura que respeita o ambiente natural, enquanto melhora as condições sociais e econômicas dos produtores e de suas comunidades. Ela envolve o uso de métodos orgânicos, a diversificação de culturas, a conservação da água e do solo e a promoção da biodiversidade. A agroecologia também ajuda os produtores a se adaptarem às mudanças climáticas, a reduzirem sua dependência de insumos externos e a aumentarem sua segurança alimentar e sua renda.

As comunidades “agroextrativistas” locais existentes no Cerrado enfrentam graves desafios devido à falta de treinamento. Tradicionalmente, essas comunidades coletam castanhas, raízes e frutas da vegetação nativa para o consumo alimentar e medicinal. Eles também produzem uma variedade de feijões, arroz, legumes e frutas em pequenas fazendas de aproximadamente 30 hectares (uma pequena propriedade para a região) em média. Para vender seus produtos, eles dependem de intermediários que ditam os preços e os termos fora do mercado. Esses produtores também sofrem com a baixa produtividade devido à falta de conhecimento técnico e à má qualidade do solo, o que torna fundamental o compartilhamento de boas práticas para ajudar a melhorar seus rendimentos e meios de subsistência.

Além de treinar os produtores no gerenciamento sustentável de fazendas como um caminho para obter a certificação orgânica para culturas alimentares e vegetação nativa, eles também recebem orientação sobre organização socioprodutiva e comercialização, inclusive por meio de visitas de acompanhamento e monitoramento. Além de impulsionar a implementação técnicas de agricultura de conservação, o projeto está tendo um efeito positivo direto e imediato sobre o meio ambiente por meio do reflorestamento. Em geral, 36.000 árvores indígenas estão sendo plantadas, melhorando a qualidade do rendimento dos solos regionais e reduzindo a pressão sobre os ecossistemas do bioma Cerrano.

Os produtores locais participantes do assentamento Canaã, em Brazlândia, Goiás compartilharam suas expectativas em relação aos benefícios do projeto:

Estou muito feliz que esse projeto tenha chegado aqui em Canaã, e acredito que ele ajudará muitas famílias, inclusive a minha. Fazer parte da cooperativa é benéfico para nós, pois podemos alcançar mais quando trabalhamos juntos. Também fico feliz que o técnico de campo esteja sempre aqui conosco, enviando mensagens positivas e fornecendo orientações práticas. Isso nos motiva muito.

Mateus Hudson Gomes Ferreira

Sou grata pelas oportunidades que esse projeto criou na área, que são muito importantes para nós, produtores familiares, nos ajudando a melhorar os processos de plantio e comercialização e a continuar avançando. Com a cooperativa, nós estamos iniciando projetos de hibisco e gergelim. É muito importante ter essas parcerias, que eu espero e acredito que sejam sólidas e melhorem nossos meios de subsistência.

Antônia Maria da Silva Aguiar

Que impacto que estamos tendo?

Nosso projeto não está beneficiando apenas os pequenos produtores, mas também as comunidades em que eles vivem e o meio ambiente. Aqui estão alguns números importantes:

  • 506 produtores participando do projeto
  • 44 comunidades apoiadas
  • 36.000 árvores indígenas a serem plantadas
  • 1.200 beneficiários indiretos
  • 41% dos produtores apoiados são mulheres

Entre os benefícios que os produtores já estão vendo, o projeto busca um impacto positivo duradouro na comunidade agrícola local, por meio de:

  • Transição bem-sucedida para a produção agroecológica, por meio de habilidades e práticas aprimoradas;
  • Aumento da produtividade e da renda, por meio da adoção de práticas agrícolas sustentáveis;
  • Padronização da produção, gerando menos perdas nas colheitas;
  • Melhoria da segurança alimentar, diversificando a produção e aumentando os rendimentos das culturas alimentares existentes como feijão, arroz, amendoim e frutas;
  • Aumento de 10 a 20% na renda familiar, graças ao melhor acesso ao mercado e ao valor agregado do produto por meio da certificação orgânica;
  • Conservação da biodiversidade por meio da incorporação de conhecimentos tradicionais para a produção agrícola;
  • Melhoria da qualidade e da fertilidade do solo a longo prazo e redução da pressão sobre os ecossistemas do bioma do Cerrado.

Saiba mais sobre nosso trabalho recente com a Fundação Louis Dreyfus, capacitando pequenos produtores: