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Uma história de dois Robustas: cultura, técnica e conexão, do Brasil ao Vietnã

May 9, 2025

Em dezembro de 2024, a Louis Dreyfus Company (LDC) levou um grupo seleto de produtores brasileiros de café Robusta em uma viagem ao redor do mundo até o Vietnã, o maior produtor de Robusta do mundo. O objetivo? Fortalecer relações comerciais por meio de experiências compartilhadas e oferecer aos nossos parceiros brasileiros uma visão única de um contexto diferente de cultivo de café.

Representando aproximadamente 24% da produção brasileira de Robusta, os produtores participantes vieram dos estados da Bahia e do Espírito Santo, e foram convidados a conhecer em primeira mão como o café é cultivado, processado e apreciado no Sudeste Asiático.

Ao longo de uma semana, o grupo visitou os armazéns locais da LDC, fez um tour na nossa planta de café instantâneo da joint venture iLD Coffee Vietnam e explorou as regiões cafeeiras do país para observar de perto a produção vietnamita de Robusta, acompanhados por Rafael Barbosa, Trader Sênior de Café, Potyguara Siqueira, Gerente de Originação, e Rayyan Mahmood, Trader Trainee.

Os produtores obtiveram uma perspectiva única sobre como uma cultura familiar assume novas dimensões em outra parte do mundo, saindo com um senso de propósito compartilhado por meio de uma comparação fascinante entre dois países profundamente enraizados no café, cada um com sua própria abordagem para o cultivo, processamento e consumo do Robusta.

Embora tanto o Brasil quanto o Vietnã cultivem a espécie Coffea canephora – conhecida globalmente como Robusta e no Brasil como “Conilon” – seus respectivos métodos refletem os distintos cenários sociais, econômicos e ambientais de cada país.

O Vietnã produz aproximadamente 27 milhões de sacas de Robusta por ano – cerca de 40% da produção global total. Grande parte desta produção vem de pequenas propriedades familiares, onde os produtores estão cada vez mais adotando práticas sustentáveis e inovações tecnológicas para se tornarem resilientes aos desafios climáticos. Apesar do tamanho médio menor das propriedades, a infraestrutura robusta do país e as comunidades agrícolas muito unidas sustentam altos volumes de produção e uma crescente relevância global.

Em contrapartida, o cultivo de Robusta (ou Conilon) no Brasil está concentrado principalmente no estado do Espírito Santo, onde propriedades de médio a grande porte utilizam sistemas avançados de irrigação e colheita mecanizada para garantir consistência, qualidade e resiliência das safras diante das mudanças nas condições climáticas.

E as diferenças vão além da agronomia. O café ocupa um lugar significativo em ambas as sociedades, embora expresso de maneiras diferentes.

No Vietnã, os quán cà phê (cafés locais) fazem parte da vida cotidiana como ponto de encontro, espaço de trabalho e ritual cultural, onde o café é frequentemente consumido gelado com leite condensado (cà phê sữa đá) ou batido com ovo (cà phê trứng), preparado lentamente por meio de um filtro metálico conhecido como phin. A bebida resultante é intensa, doce e caracteristicamente vietnamita.

A cultura do café no Brasil é igualmente rica. O cafezinho – uma pequena xícara de café filtrado quente – é presença constante nas casas, nos locais de trabalho e em muitos espaços públicos – até mesmo postos de gasolina! O perfil de sabor do Conilon brasileiro – mais suave e menos intenso que o vietnamita – traz notas familiares de chocolate e nozes, perfeito para longos cafés da manhã ou pausas no meio da tarde. O Robusta brasileiro é frequentemente misturado com Arábica ou usado em produtos de café solúvel, graças à sua intensidade e corpo.

Para a LDC, a viagem reflete o nosso compromisso de trabalhar lado a lado com produtores e parceiros na promoção do entendimento e crescimento compartilhados. Esse espírito de colaboração sustenta nosso modelo de negócios – de relações comerciais a práticas sustentáveis, como alavanca para elevar a qualidade e a criação de valor em todas as etapas da cadeia do café.

A viagem também foi um lembrete de que, embora o café seja muitas vezes uma tradição local, a dedicação para produzi-lo para os consumidores é uma história verdadeiramente global. Das terras altas do Vietnã às fazendas do Brasil, há diferentes capítulos do Robusta em cada região – mas todos eles têm algo em comum: pessoas apaixonadas.

Ao compartilhar conhecimentos e experiências – além das fronteiras e ao longo da cadeia de valor, podemos continuar cultivando não apenas um café melhor, mas também uma comunidade cafeeira global mais conectada e resiliente.

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